Receita ilegível: o que a norma diz e o que a farmácia de manipulação pode fazer
Por Equipe MagistralFlow · Atualizado em 8 de outubro de 2026 · ~7 min de leitura
Resposta direta: A farmácia não deve adivinhar o que está escrito. A Lei 5.991/1973 diz que só será aviada a receita escrita de forma legível (artigo 35, inciso I). A RDC 67/2007 põe a legibilidade e a ausência de rasuras como primeiro item da avaliação da prescrição, e diz que a falta de qualquer item pode acarretar o não atendimento (itens 5.18.4 e 5.18.5). Do lado do prescritor, o Código de Ética Médica trata da receita ilegível no artigo 11.
O que as normas dizem sobre receita ilegível?
Três textos tratam do assunto, cada um de um lado do balcão.
| Norma | O que diz | Onde |
|---|---|---|
| Lei 5.991/1973 | Somente será aviada a receita que seja escrita no vernáculo, redigida sem abreviações e de forma legível, e que observe a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais | Artigo 35, inciso I (redação da Lei 14.063/2020) |
| RDC 67/2007 | A avaliação da prescrição observa legibilidade e ausência de rasuras e emendas. A ausência de qualquer item da lista pode acarretar o não atendimento da prescrição | Itens 5.18.4, alínea “a”, e 5.18.5 |
| Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) | É vedado ao médico “receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição” | Artigo 11 |
A lei e a RDC falam com a farmácia. O Código de Ética fala com o médico.
De quem é cada responsabilidade?
- Do prescritor: escrever de forma legível. O artigo 11 do Código de Ética Médica trata disso.
- Do farmacêutico: avaliar a prescrição, e a legibilidade é o primeiro item da lista. A RDC 67/2007 atribui a avaliação das prescrições ao farmacêutico (item 5.18.1) e manda fazê-la antes do início da manipulação (item 5.18.1.1).
- Do atendente, por organização da farmácia: a triagem do que chegou. Ver se a foto está inteira e nítida e encaminhar ao farmacêutico o que não deu para ler. As normas citadas não atribuem tarefa ao atendente.
O que nenhum dos três faz é completar a receita por conta própria. Trocar “0,1” por “1,0” numa dose, ou um ativo por outro de nome parecido, é o tipo de erro que uma receita legível evita.
O que fazer com a receita que não dá para ler?
- Separar o que está ilegível do que está legível. Nem sempre a receita inteira é ilegível. Muitas vezes é um campo: a dose, o nome de um ativo, a quantidade.
- Conferir se é a receita ou a foto. Foto cortada, tremida ou com sombra se resolve pedindo outra ao cliente. Letra ilegível não.
- Levar ao farmacêutico. A decisão sobre o que fazer com um campo ilegível é dele.
- Confirmar com o prescritor, quando for o caso. A RDC 67/2007 prevê expressamente a confirmação com o prescritor para dose acima dos limites, incompatibilidade ou interação perigosa (item 5.18.2), e a Lei 5.991/1973 traz previsão parecida (artigo 41). Essas normas não descrevem o caso da receita ilegível. Por analogia, e como prática prudente, o caminho é o mesmo: quem escreveu é quem pode dizer o que escreveu.
- Considerar o não atendimento. O item 5.18.5 diz que a ausência de qualquer item da lista pode acarretar o não atendimento da prescrição.
Um cuidado: a confirmação feita só com o cliente não resolve um campo técnico ilegível. O cliente sabe o que foi tratar, e pode não saber a dose prescrita.
Receita de substância sujeita a controle especial segue legislação específica, e a RDC 67/2007 não permite alterar essas prescrições (item 5.18.3).
E quando o problema é a foto, não a letra?
No atendimento por WhatsApp, parte do que parece receita ilegível é foto ruim. Vale pedir, já na primeira mensagem, a foto da receita inteira, com cabeçalho, data e assinatura aparecendo, sem flash estourado.
Foto boa não substitui a avaliação da prescrição pelo farmacêutico. Se a foto basta para aviar, e como fica a guarda da receita original, são questões que este artigo não trata. Veja como organizar o WhatsApp da farmácia para receber receita.
O que registrar?
Quando a farmácia confirma algo com o prescritor, o registro protege os dois lados. A RDC 67/2007 exige o registro datado e assinado pelo farmacêutico para um caso específico: a confirmação que permite repetir uma receita sem duração de tratamento indicada (item 5.17.5.1, incluído pela RDC 87/2008). Para a confirmação de um campo ilegível a norma não descreve um formulário, mas anotar quem confirmou, quando e o que foi dito segue a mesma lógica e custa pouco.
Onde uma IA de leitura entra, e onde ela para?
O MagistralFlow é uma camada de IA de atendimento para farmácia de manipulação: interpreta o que o cliente envia pelo WhatsApp (áudio, foto da receita, texto) e devolve o pedido estruturado para o atendente conferir e lançar no sistema que a farmácia já usa.
Quando a IA não consegue ler um campo com clareza, ela é instruída a marcar o item como de baixa confiança e a não completar o campo por palpite. Na conversa, o assistente mostra o que leu, marca o trecho que não conseguiu ler e pede confirmação antes de seguir, e uma foto melhor pode ser pedida ao cliente.
Onde ela para: marcar um item como de baixa confiança faz o assistente parar e pedir confirmação na conversa. Não revela o que está escrito, e não aparece como aviso na tela de atendimento. A confirmação dada pelo cliente não substitui a avaliação do farmacêutico, que continua sendo quem decide se a receita pode ser atendida. E leitura de imagem erra, inclusive com confiança alta. Por isso a conferência do atendente contra a receita original faz parte do processo.
Perguntas frequentes
- A farmácia pode recusar uma receita ilegível?
- A Lei 5.991/1973 diz que só será aviada a receita escrita de forma legível (artigo 35, inciso I). A RDC 67/2007 põe a legibilidade como item da avaliação da prescrição e admite o não atendimento quando falta um item (itens 5.18.4 e 5.18.5).
- O farmacêutico pode deduzir o que está escrito na receita?
- Não é o que as normas preveem. A avaliação da prescrição é do farmacêutico, e a legibilidade é um dos itens que ele avalia. Diante de um campo que não se lê, a prática prudente é esclarecer com quem prescreveu.
- O médico é obrigado a escrever a receita de forma legível?
- O artigo 11 do Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) veda ao médico "receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição".
- O atendente pode confirmar a receita ilegível com o cliente?
- O cliente pode ajudar com o que sabe, como o nome de quem vai usar e o que foi tratar. Um campo técnico ilegível, como dose ou ativo, se esclarece com o prescritor, e a decisão é do farmacêutico.
- Foto ruim da receita conta como receita ilegível?
- São problemas diferentes. Foto cortada, tremida ou com sombra se resolve pedindo outra foto. Letra ilegível continua ilegível em qualquer foto.
- Uma IA consegue ler receita com letra difícil?
- Uma IA de leitura pode interpretar a foto e devolver o pedido estruturado para conferência. Ela erra, e por isso a conferência contra a receita original continua. No MagistralFlow, a IA é instruída a marcar como de baixa confiança o item que não leu com clareza.
- Receita digitada resolve o problema?
- A receita digitada elimina a letra ilegível. Os demais itens da avaliação da prescrição continuam valendo.
Veja a IA lendo uma receita da sua farmácia
Envie uma receita na demo e veja o pedido estruturado que chega para o atendente conferir.
Conteúdo educativo, baseado no texto das normas publicado pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, pelo Planalto e pelo Conselho Federal de Medicina, lido em outubro de 2026. Normas são alteradas com frequência: confira a redação vigente e a orientação da vigilância sanitária local. Não constitui consultoria jurídica ou sanitária. A responsabilidade técnica é do farmacêutico responsável.